Depois do período de espera e preparação do vídeo Confissões de uma máscara: documentário multimídia, finalmente o produto final para quem quiser assistir.
Primeira Parte
Segunda Parte
Terceira Parte
Fechando o time de entrevistados
Leoni Silva é o último participante convidado para contribuir com o documentário com suas histórias e sua maneira de encarar a vida. Apesar de ainda ser muito jovem apenas 20 anos Leone passou por turbulentos momentos para conquistar o respeito que sempre quis das pessoas. Durante a adolescência foi um garoto que vivia em tribos dos punks aos metaleiros e sempre fez questão de deixar claro como pensava a respeito das questões mais íntimas do ser. Durante a entrevista, Leone contou várias histórias e, das trágicas às mais hilárias, mantém sempre o bom humor.
Entre as coisas que incomodam o nosso entrevistado estão as expressões machistas que, muitas vezes, representam o preconceito arraigado da sociedade. Por exemplo, quando os amigos heteros "ficam falando mulher gostosa, daí você está lá perto e você fica assim eu vou falar homem gostoso?. Se eu falar nossa, que homem gostoso, daí eles vão virar e falar ai, que nojo", conta. Entre outras histórias, Leone destaca também sobre o dia em que estava passando no calçadão de Viçosa e foi insultado. "Eu estava sozinho. Aí o cara virou e falou: ô gay. Aí eu virei, parei e olhei para a cara dele e falei: ô hetero. Eu acho que se ele quer me ofender ele tem que me chamar de hetero, não é não?". Esse é o nosso último entrevistado. Mineirinho cheio de histórias engraçadas.
Leone durante a entrevista, gravada em 23 de novembro de 2007
A penúltima pessoa convidada para participar do documentário é Carolina Lehner Machado, que se define como uma pessoa que leva a vida da forma que acha certa. "Não tenho medo de enfrentar barreiras. Não tenho medo de ter decepção nenhuma. É ao contrário, eu já tive muitas, mas só me serviu de força", disse.
Durante a entrevista, realizada em 16 de novembro de 2007, Carol falou um pouco sobre sua infância, seu relacionamento com a família e a sua maneira de encarar a homossexualidade. Carol falou também de preconceitos e violências físicas que já sofreu devido sua orientação sexual. "Na Nico Lopes de 2006 ano passado eu estava na festa na universidade e do nada chegaram três caras e começaram a me bater e a me chutar. E chute na boca, nas costas. Levei quatro pontos por dentro da boca, três pontos no queixo, duas costelas quebradas", destacou. Quer conhecer um pouco mais a Carol? Então aguarde o documentário.
O quarto convidado a participar do video é João Paulo Reis, de 25 anos. João é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa e, atualmente, está fazendo mestrado em Antropologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A rica contribuição de João para este documentário está no seu amplo conhecimento sobre gênero e temas relacionados à sexualidade e ao comportamento humano.
Durante a entrevista realizada em 14 de novembro de 2007 esclareceu pontos importantes quanto aos conceitos de sexo e gênero. "Na verdade, o sexo tende a ser tomado como uma característica biológica. A idéia de que você tem um corpo e que esse corpo é um corpo de mulher ou é um corpo de homem. E, na verdade, o conceito de gênero, ele é muito recente: você vai começar a ter a formulação desse conceito em 1940, no final da década de 40 na verdade, 1949, quando Simone de Beauvoir vai publicar O Segundo Sexo - que é trazendo a idéia de que nenhuma pessoa nasce do jeito que é. A frase que ela usa é: ninguém nasce mulher, torna-se mulher ao longo da vida porque é socializado como mulher e aprende a ser mulher a partir disso. (...) Mas o que o conceito de gênero vai demonstrar ao longo da vida é que existem formas diferentes de se pensar o masculino e o feminino. A partir de uma lógica de pensamento ocidental que é essa lógica de distinção binária que separa natureza e cultura, corpo e alma, público e privado, masculino e feminino, ou homem e mulher que seriam aí as formas de se pensar. E como dentro da sociedade ocidental a gente pensa por binarismos, isso cria espaços separados para se pensar aquilo que é do universo do masculino e aquilo que é do universo do feminino", disse.
A terceira pessoa corajosa a participar desse, como disse um colega, "experimento" é Jairo Barduni Filho, de 26 anos. Natural de Visconde do Rio Branco, Minas Gerais, atualmente Jairo mora em terras viçosenses para cursar Pedagogia na Universidade Federal de Viçosa. É um jovem que gosta de ler, ouvir músicas, sair com os amigos e se diz apaixonado pelo seu estágio em pedagogia hospitalar.
De origem humilde, o nosso terceiro participante sempre foi do tipo que lutou muito para conquistar seus sonhos e entre esses sonhos estava o ensino superior. Porém, após a conclusão do ensino médio, Jairo teve que começar a trabalhar para adquirir sua independência e para ajudar na renda da família. Mas, como jovem determinado que é, não desistiu do sonho. Tentou vestibulares várias vezes e insistiu no sonho até conseguir realizá-lo em 2005. "Depois de quatro anos de trabalho foi que eu resolvi fazer o vestibular. E como todo mundo sabe, depois que você pára um tempo de estudar, fica mais complicado", disse. Para o futuro, suas expectativas são de conseguir um mestrado ou passar em algum concurso e começar a trabalhar. Quanto à homossexualidade, encara como algo natural. "Natural porque somos pessoas comuns, como quaisquer outras pessoas. A homossexualidade, o problema dela é porque soa e destoa de uma sexualidade considerada normal, padrão pela sociedade", completa. A entrevista foi gravada no dia 15 de novembro de 2007.
Jairo durante a gravação da entrevista, em pleno feriado
As entrevistas realizadas com os participantes do documentário ocorreram de forma descontraída e improvisada não improvisada no sentido de irresponsável e de última hora, mas improvisada no sentido de se transformar o quarto num estúdio para que a entrevista pudesse acontecer em horários fora de expediente, feriados e finais de semana. Tamanha improvisação resultou num estúdio quente e de pouca ventilação, mas, ao mesmo tempo, um ambiente de conversa franca e íntima. Engraçado como que depois de realizar as entrevistas e passar cerca de uma hora com cada um dos participantes, você fica com a sensação de que agora conhece melhor a pessoa. E fica encantado com as experiências e a maneira de cada um encarar a vida. Minha isenção jornalística fica numa linha tênue e me torno amigo das fontes. Isso é fator positivo, ao ponto de você conseguir um depoimento sincero. Mas à conclusão que chego é que, mais do que entrevistador e entrevistado, somos seres que compartilham memórias, histórias e experiências.
Quanto ao roteiro de perguntas das entrevistas, este foi baseado em alguns pontos que seriam abordados no documentário. Tais pontos foram levantados nesse blog através dos comentários de alguns visitantes e, também, através do e-mail. O modo da sociedade encarar a homossexualidade, a primeira experiência homossexual, o relacionamento com a família, os preconceitos, a representação dos homossexuais na mídia, entre outros, foram pontos abordados nas entrevistas.
Caso você seja um visitante do blog e queira participar desse projeto de alguma maneira, basta responder algumas dessas perguntas listadas abaixo e enviar com seus dados pessoais (nome, idade, cidade, profissão) e uma foto. A sua participação pode ser através de uma entrevista por e-mail ( confissoesdeumamascara@gmail.com ) ou através de um vídeo filmado por você e postado no YouTube basta enviar o link do vídeo por e-mail para que ele seja publicado aqui. Eis, para os interessados, o roteiro de perguntas. É só escolher aquelas que quiser responder e nos enviar:
Questionário 01) Apresente-se de forma breve para quem está lhe assistindo. Quem é você?
02) Quando você se descobriu homossexual? Durante a adolescência? Como foi o processo de aceitação e de se assumir para os outros e para você mesmo?
03) Quando e como foram suas primeiras experiências: seu primeiro beijo e sua primeira relação sexual?
04) Caso tenha assumido a orientação sexual para a família e os amigos, acha que o relacionamento mudou depois disso? De que maneira?
05) Já sofreu algum tipo de preconceito devido à sua homossexualidade? Como foi?
06) Na sua opinião, em geral, como a sociedade encara a homossexualidade?
07) Levando em consideração o título do projeto "Confissões de uma máscara", você acha que os homossexuais assumem posturas (ou máscaras) que não sejam essencialmente as suas para serem aceitos num determinado grupo seja se assumindo ou não?
08) Quais máscaras a sociedade coloca no homossexual?
09) Como você encara a representação do homossexual na mídia brasileira?
10) O que você pensa a respeito da união entre pessoas do mesmo sexo?
11) Como você definiria o amor homossexual?
12) Qual mensagem você deixaria para combater a homofobia?
A segunda participante do vídeo documentário "Confissões de uma máscara" é Míriam Alves Costa, de 23 anos, que nasceu em Belo Horizonte e foi criada em Ponte Nova, Minas Gerais. Míriam é estudante do curso de História da Universidade Federal de Viçosa e se diz apaixonada por Segunda Guerra Mundial. Outra de suas predileções é a realização de festas. "Eu queria ter uma boate e uma loja de roupas muito chique, muito legal, muito bombástica, muito bafônica. Mas o sonho mesmo, da minha vida, é ter uma boate e conhecer a Polônia", completa.
Durante a infância Míriam teve uma vida tranqüila, brincando de boneca e rodeada de primos. O fato de ser adotada pelos pais quando tinha um ano e meio não foi um problema em sua vida, pois sempre teve um relacionamento normal com eles. Na adolescência, passou por algumas divergências de pensamentos com a mãe coisa natural da fase. "Na pré-adolescência eu não era muito igual às pessoas não. Se eu tivesse vontade de fazer, eu fazia. Independente do que as pessoas iam falar, se minha mãe fosse descobrir, eu nunca tive esse problema comigo. As meninas ainda estavam brincando de boneca e eu queria beijar na boca. As meninas começaram a beijar na boca e eu queria transar", comenta. Quer conhecer mais a nossa segunda participante? Então aguardem o vídeo-documentário. A entrevista foi gravada no dia 12 de novembro de 2007.
Conversar com o melhor amigo sobre as questões mais íntimas do nosso ser não é tarefa simples. Imagine então falar de si mesmo e de sua sexualidade em frente a uma câmera. Foi difícil encontrar as seis corajosas pessoas para cederem uma entrevista. Mas eis que, ainda há tempo, surge o primeiro desses corajosos participantes que, no documentário final, compartilharão um pouco de suas experiências.
O primeiro participante é o estudante do segundo período de Comunicação Social da Universidade Federal de Viçosa, André Pacheco, de 22 anos. Natural do interior de Minas, André é uma pessoa de personalidade forte, de humor sarcástico e refinado. Define-se como hiperativo e de baixa auto-estima, mas, pela entrevista, mostrou-se um jovem maduro e que não faz da sua questão um problema em sua vida. Mas algo normal que realmente é. Talvez a homofobia em nosso país fosse um pouco menor se existissem mais pessoas como nosso primeiro participante. Para André Pacheco, "o que cada um faz do seu íntimo, não somente o sexo, mas tudo, diz respeito apenas a ela. Não aos outros". A entrevista foi realizada no dia 09 de novembro de 2007.
André Pacheco durante a gravação da entrevista (em estúdio improvisado)
Contradizendo a postagem anterior quando estava meio decepcionado pela falta de apoio ao projeto venho agradecer a ajuda do jornal viçosense O Popular pelo espaço cedido em suas páginas para divulgar o projeto. A divulgação na mídia local reflete o comprometimento de um jornalismo de apoio à diversidade e respeito à diferença. A ajuda oferecida pelos jornalistas da região reflete, para mim, em motivação no desenvolvimento de um projeto sério e de qualidade. Muitíssimo obrigado pela força!
Não pensei que um trabalho que se propusesse a ir contra a homofobia pudesse sofrer preconceito. (Ingênuo!) Não um preconceito escancarado, mas um preconceito em sua forma mais tradicional, mais arraigada - que causa aquela sensação em que todos fingem estar bem à sua volta, quando não está.
A discussão parece girar em torno do porquê da escolha de determinado tema para trabalhar, em vez de se discutir o tema em si. E fazer um trabalho deste numa cidade de interior também não está sendo fácil. (Não seria fácil em qualquer lugar)
Minha indignação vem da falta de apoio da mídia local para a divulgação do trabalho. Imagine a situação: você envia um release e ninguém responde. Daí você pensa que foi porque você mandou numa data muito em cima do fechamento da edição do jornal. Manda novamente na semana seguinte e... nada. O que será? Preconceito? Falta de espaço no jornal? Se rolasse dinheiro será que haveria publicação? Bem, não sei. Sei que, nem mesmo com o apoio dos meios de comunicação da Universidade pude contar e olha que isso é um trabalho de conclusão de curso.
Ao menos uma resposta sobre o porquê da não publicação eu poderia ter recebido. Uma simples mensagem para motivar o trabalho. Mas, nada. Pode ser que eu esteja enganado e ainda seja publicado algo. Talvez seja realmente falta de espaço nos jornais. Vamos esperar pra ver! Mas eu não vou esperar momento algum para começar a trabalhar e continuar minha tentativa de fazer uma pequena parcela para ultrapassar esse preconceito desnecessário. Mãos à obra! Essa semana rola a primeira gravação. O primeiro participante do vídeo vem aí. Fiquem atentos!
E se você - caro leitor - quiser participar, ainda dá tempo. Envie um e-mail para confissoesdeumamascara@gmail.com. Àqueles que estão apoiando a idéia, muitíssimo obrigado! Aos que não estão, também ainda dá tempo!
Todo começo de trabalho é uma tarefa árdua. A idealização de tudo que vier a ser produzido sempre é mais difícil do que a própria execução. É claro que todas as etapas de trabalho têm suas dificuldades e barreiras a serem transpostas, mas criar as bases sólidas de um projeto não é fácil. Quando tive a idéia deste projeto sabia do desafio que encontraria tanto na técnica da comunicação quanto no conteúdo do material a ser produzido. Seriam, ou melhor, já são leituras e mais leituras. Reflexões profundas para se chegar a diversos questionamentos e, muitas vezes, poucas respostas. E na abordagem de um tema ainda considerado polêmico por muitas pessoas, e, ainda, considerando a proposta de um trabalho participativo, venho através desta postagem levantar certa discussão sobre os pontos a serem abordados num documentário que pretende discutir a homossexualidade. Que pontos são importantes e devem ser abordados em um documentário que objetiva ir contra a homofobia e discutir a diversidade afetivo-sexual?
Deixe sua opinião. Todas as sugestões são bem-vindas. Conto com a sua participação para produzir um trabalho interessante e de qualidade. Podem deixar suas sugestões nos comentários do blog e, caso não queiram se identificar, não tem problema. Vocês podem também optar por enviar suas sugestões para o e-mail confissoesdeumamascara@gmail.com. Participem!
Este blogue é uma experiência multimídia de um projeto experimental idealizado por um estudante de Comunicação Social Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, como parte de um trabalho de conclusão de curso. A iniciativa tem por objetivo a produção de um documentário que utilize os recursos multimidiáticos e hipermidiáticos oferecidos por diferentes tipos de mídias na composição de um produto de linguagem inovadora.
A partir desse espaço, pretende-se discutir questões pertinentes ao cotidiano e ao comportamento das pessoas de acordo com sua orientação sexual e, também, a maneira como estas encaram a sociedade e como a sociedade encara a homossexualidade. A partir do material coletado ao longo do trabalho pretende-se estruturar um roteiro para documentário que visa combater a homofobia e sensibilizar quanto à causa da diversidade afetivo-sexual.
A idéia é pensar uma transformação cultural possível através das ferramentas multimidiáticas e, com isso, desenvolver um trabalho de investigação sobre a homossexualidade e, a partir daí, utilizar os meios de comunicação como transformadores de pontos de vistas, como meios democráticos capazes de dar voz a um determinado grupo e transpor a homofobia que existe ainda nos dias de hoje. E não poderia haver data melhor que o 11 de outubro para começar este blogue, já que hoje é comemorado nos EUA, Europa e Brasil o Dia de Assumir. Daí o título do projeto: "Confissões de uma máscara".
"Confissões de uma máscara" foi escolhido para dar nome ao projeto como uma referência à obra do autor japonês Kimitake Hiraoka cujo nome artístico era Yukio Mishima que, em seu livro publicado em 1948, conta a história de um jovem homossexual que se esconde atrás de uma máscara para enfrentar a sociedade. A referência parece pertinente se considerarmos que, em pleno século XXI, muitos são os personagens que precisam se esconder e tomar determinadas posturas que não as suas para serem aceitos num determinado grupo. E numa tentativa das máscaras não serem necessárias, este projeto pretende, de maneira participativa, discutir abertamente questões relacionadas à homossexualidade.
Gostaria de participar? Então basta enviar uma mensagem para o e-mail confissoesdeumamascara@gmail.com e, talvez, você poderá ser um dos seis corajosos personagens de um documentário. Mas neste espaço também serão publicados vídeos, imagens, textos e demais conteúdos sobre o tema que forem enviados pelos internautas. Deixe a máscara de lado e participe!